quarta-feira, 2 de novembro de 2011


No Brasil, o investimento em P&D seguiu a tendência mundial e cresceu de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,1 bilhões. Pesquisa revela que empresas com culturas corporativas que apoiam estratégias de inovação têm performance financeira superior

O investimento total em P&D entre as empresas que mais gastam com inovação teve um salto em 2010, após a queda induzida pela recessão em 2009, de acordo com o Global Innovation 1000 de 2011, o sétimo estudo anual sobre os gastos das empresas com inovação, divulgado hoje pela consultoria global Booz & Company. O estudo revelou que as mil empresas de capital aberto que mais investiram em pesquisa e desenvolvimento em 2010 aumentaram o montante destinado a P&D em 9,3%, para US$ 550 bilhões, uma forte recuperação com relação ao declínio de 3,5% de 2009 – o que marca um retorno à trajetória de crescimento no longo prazo dos gastos com inovação.

O Brasil acompanhou o movimento mundial em P&D registrando um crescimento de US$ 1,9 bilhão, em 2009, para 2,1 bilhões, em 2010. Entretanto, a quantidade de empresas brasileiras e as companhias que figuram no ranking continuaram as mesmas: cinco empresas – CPFL Energia SA, Embraer SA, Petroleo Brasileiro SA, Totvs SA, Vale SA. A maior parte das empresas brasileiras no ranking ampliou os seus investimentos em P&D em 2010, somente a Vale reduziu o investimento de US$ 1,115 bilhão para US$ 891 milhões.

O crescimento global do investimento em P&D de 2010 não acompanhou a alta de 15% na receita das empresas Global Innovation 1000, o que resultou em uma leve queda na intensidade do P&D, ou nos gastos com P&D enquanto porcentagem da receita – de 3,76% em 2009 para 3,52% em 2010. Isto representa, no entanto, um retorno natural à tendência de longo prazo, já que em 2009 a maior parte das empresas não reduziram o investimento em inovação tão profundamente quanto poderiam ter feito, considerando-se as quedas de dois dígitos nas vendas.

“Claramente, o crescimento do P&D de 2010 confirma um compromisso contínuo com o investimento em produtos e serviços novos e melhores para mercados ainda mais competitivos ao redor do mundo. No entanto, grande parte do crescimento em P&D pode ser atribuído ao fato de que as empresas estão tentando recuperar o atraso, e não necessariamente a níveis mais altos de investimento”, disse Ivan de Souza, presidente da Booz & Company para a América Latina.

A Booz & Company analisou as mil empresas que mais gastaram em pesquisa e desenvolvimento em 2010, no que continua sendo o esforço mais abrangente para avaliar a conexão entre inovação e desempenho corporativo. O estudo proporciona insights sobre como as organizações podem obter o melhor retorno sobre o seu investimento em inovação. Uma novidade no estudo deste ano é uma análise aprofundada do impacto da cultura corporativa sobre a eficácia na inovação e sobre o desempenho financeiro, com base em uma pesquisa realizada separadamente com quase 600 líderes em inovação de empresas em todo o mundo.

Entre as principais descobertas do estudo Global Innovation 1000 de 2010 estão:

No total, 68% das empresas que a Booz & Company acompanha aumentaram os gastos com P&D em 2010, e três setores responderam por mais de três quartos (77%), ou US$ 36,1 bilhões, de um crescimento total de US$ 46,8 bilhões: informática e eletrônicos, saúde e automotivo. Os setores que tiveram o maior percentual de crescimento em P&D foram software e internet (11%), saúde (9,1%) e insumos (8,5%).

- O setor de informática e eletrônicos teve o maior crescimento absoluto nos gastos com P&D e segue sendo o setor número um no investimento em inovação, sendo responsável por 28% do total. Com receitas 14,2% maiores, o setor de informática e eletrônicos aumentou o desembolso com inovação em 6,1%, ou US$ 16,9 bilhões. No entanto, pela primeira vez desde a criação do estudo Global Innovation 1000, nenhuma empresa de tecnologia de ponta figurou entre as três organizações que mais gastam com P&D.

- O setor de saúde ficou em segundo lugar, com 22% do investimento total. O setor aumentou os gastos em 9,1%, ou US$ 10,4 bilhões – a maior taxa de crescimento entre os três principais setores em 2010, alinhada ao crescimento geral do P&D (9,3%) em todos os setores. O setor de saúde, cujo investimento em P&D é realizado principalmente por companhias farmacêuticas, garantiu quatro das cinco primeiras posições em gastos com P&D entre as Global Innovation 1000 e teve oito empresas entre as 20 maiores em gastos totais com P&D.

- O setor automotivo obteve o terceiro lugar, com uma participação de 15% no total de gastos, devido a um reforço de 8%, ou US$ 8,8 bilhões, em 2010 – uma mudança significativa após a redução de 14% no montante investido em P&D em 2009. As receitas do setor automotivo aumentaram 16,5% com relação ao ano passado.

Em nível global, todas as regiões aumentaram os gastos com inovação em 2010, o que representa uma reviravolta significativa com relação ao ano anterior, quando as três regiões que formam a maior fatia do bolo – América do Norte, Europa e Japão – reduziram seus gastos. As empresas com sede na Índia e na China mais uma vez aumentaram seu investimento total em P&D a uma taxa mais alta que aquelas das três maiores regiões:

- A reviravolta foi cautelosa nas empresas com sede na Europa e no Japão, que tiveram aumentos de 5,8% e 1,76% nos gastos com P&D, respectivamente. As empresas com sede na América do Norte, depois de cortar os gastos com P&D em quase 4% em 2009, aumentaram os gastos com P&D em 10,5% em 2010, superando a taxa de crescimento global de 9,3%.

- A China e a Índia – e em menor grau os países da América do Norte, Europa, Japão e Ásia – continuaram a crescer rapidamente, mesmo que a partir de uma base menor. Responsáveis por 2% dos gastos com P&D em 2010, as empresas com sede na China e na Índia elevaram o investimento em P&D em mais de 38% – um ritmo de crescimento praticamente idêntico ao do ano anterior. As empresas de outras regiões do mundo aumentaram seus investimentos em P&D em quase 14%.

As 20 empresas que mais investem registraram um aumento de 10% nos gastos com P&D, o que representa um investimento de US$ 142 bilhões em P&D sobre vendas de US$ 1,6 trilhão. É uma taxa que supera o aumento geral de 9,3% entre todas as empresas Global Innovation 1000. A Roche Holding AG liderou o grupo global pelo segundo ano consecutivo, com um investimento de US$ 9,6 bilhões dos seus US$ 45,7 bilhões de receita em inovação -- uma taxa de intensidade em P&D de mais de 21%. A Toyota Motor, a empresa com maiores gastos em P&D por muitos anos até a recessão, caiu da quarta para a sexta posição, com um crescimento de menos de 1% nos gastos.

- Pfizer (nº 2), Novartis (nº 3), Microsoft (nº 4) e Merck (nº 5), ao lado da Toyota, são as cinco empresas que mais investem em P&D. A Ford foi a única empresa a sair do grupo das 20 primeiras, e a AstraZeneca foi a única novata do grupo, na 18a posição.

No que diz respeito a inovação, o nível de gastos não é proporcional ao sucesso. Como parte da sua pesquisa, feita pela web com cerca de 600 executivos de inovação de mais de 400 empresas líderes de todos os principais setores, a Booz & Company pediu aos entrevistados que citassem as empresas que consideram as mais inovadoras em todo o mundo. Pelo segundo ano consecutivo, a Apple liderou os top 10, seguida pela Google e pela 3M. Este ano, o Facebook foi considerado uma das empresas mais inovadoras, entrando na lista na décima posição. Em uma comparação entre as empresas eleitas as dez mais inovadoras e as dez que mais gastam em P&D, a Booz & Company descobriu que as empresas mais inovadoras tiveram desempenho melhor que as dez empresas com maiores gastos em P&D em três métricas financeiras importantes em um período de cinco anos.

Fonte: http://www.booz.com

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